quarta-feira, 23 de junho de 2010

trecho da carta de Américo Vespucio sobre Cabo Frio


"(...) Esperamos dois meses e quatro dias na baía de Todos os Santos os demais navios da expedição], e vendo que nada resolvíamos, decidimos a minha conserva e eu correr a costa e navegamos mais para diante 260 léguas, até chegarmos a um porto onde consertamos [(acordamos)] construir uma fortaleza, o que fizemos. Nela deixamos 24 cristãos que vinham na minha conserva, que os recolhera da nau capitânia naufragada [a 10 de Agosto de 1503 na ilha de Fernando de Noronha ]. Permanecemos nesse porto cinco meses construndo a fortaleza e carregando os nossos navios com pau-brasil. Feito tudo isso, convimos em voltar para Portugal, que nos ficava entre o Norte e o Nordeste e assim deixamos os 24 homens em terra, com mantimentos para seis meses, 12 bombardas e muitas outras armas (...). Feito tudo, despedimo-nos dos cristãos e da gente da terra, e começamos a nossa navegação (...)”

terça-feira, 22 de junho de 2010

Sítio histórico da fazenda de Campos Novos



Implantado numa pequena colina circundada por um amplo descampado, o sítio histórico é remanescente da antiga fazenda de propriedade da Companhia de Jesus. O conjunto arquitetônico construido em 1630, composto por casa-grande, igreja de Santo Inácio e cemitério, forma uma quadra com claustro interno nos moldes da arquitetura jesuítica dos primeiros séculos da colonização. Com a expulsão dos jesuítas em 1759, a área foi incorporada aos bens da Coroa. Em 1822-1823, as terras foram objeto de reforma agrária. Em 1993, a sede da antiga fazenda foi desapropriada pelo município. Na casa-grande conservam-se os tetos de madeira em forma de gamela. O interior da igreja mantém-se íntegro. A estrutura arquitetônica original jesuítica está preservada e pode ser claramente percebida, apesar dos acréscimos posteriores.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Cabo frio, a primeira feitoria do Brasil

Em 1503, a terceira expedição naval portuguesa para reconhecimento do litoral brasileiro, sofreu um naufrágio em Fernando de Noronha e a frota remanescente se dispersou. Dois navios, sob o comando de Américo Vespúcio, seguiram viagem até a Bahia e depois até Cabo Frio. Junto ao porto da barra de Araruama, os expedicionários construíram e guarneceram com 24 "cristãos" uma fortaleza feitoria para explorar o pau-brasil, abundante na margem continental da lagoa.

Em 1512, este estabelecimento comercial-militar pioneiro, que efetivou a posse portuguesa da "nova terra descoberta" e deu início a conquista no continente americano, e que foi destruído pelos índios tupinambás em função das "muitas desordens e desavenças que entre eles houve" em 1526. Os franceses traficavam pau-brasil e outras mercadorias com os índios, na costa brasileira, desde 1504. Durante as três primeiras décadas do século XVI, praticamente restringiram sua atuação ao litoral da região nordeste.

A partir de 1540, por causa do rigoroso policiamento naval português nestes mares, os franceses exploraram o litoral e levantaram os recursos naturais de Cabo Frio. Em 1556, construíram uma fortaleza-feitoria para exploração de pau-brasil, na mesma ilhota utilizada anteriormente pelos portugueses, junto ao porto da barra de Araruama. A "Maison de Pierre" cabofriense ampliou e consolidou o domínio francês no litoral sudeste, iniciado com o Forte Coligny no Rio de Janeiro, um ano antes.